terça-feira, 24 de junho de 2008

LENDA DE OBALUAIE


Obaluaê
Atotô!
Xapanã nasceu em Empê,no território Tapá,também chamado Nupê.Era um guerreiro terrível que,seguido de suas tropas,percorria o céu e os quatro cantos do mundo.Ele massacrava sem piedade aqueles que se opunham à sua passagem.Seus inimigos saíam dos combates mutilados ou morriam de peste.assim,chegou Xapanã em território Mahi,no Daomé.A terra dos mahis abrangia as cidades de Savalu e Dassa Zumê.Quando souberam da chegada iminente de Xapanã,os habitantes desta região,apavorados,consultaram um adivinho.E assim ele falou:"Ah! O grande guerreiro chegou de Empê!Aquele que se tornará o senhor do país!Aquele que tornará esta terra rica e próspera,chegou!Se o povo não aceitá-lo,ele o destruirá!É necessário que supliquem a Xapanã que vos poupe.Façam-lhe muitas oferendas; todas as que ele goste:inhame pilado,feijão,farinha de milho,azeite de dendê,picadinho de carne de bodee muita,muita pipoca!Será necessário,também,que todos se curvem diante dele,que o respeitem e o sirvam.Desde que o povo o reconheça como pai,Xapanã não o combaterá,mas protegerá a todos!"Quando Xapanã chegou,conduzindo seus ferozes guerreiros,os habitantes de Savalu e Dassa Zumê reverenciaram-no,encostando suas testas no chão,e saudaram-no:Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô!"Respeito e submissão!"Xapanã aceitou os presentes e as homenagens,dizendo:"Está bem! Eu os pouparei!Durante minhas viagens,desde Empê,minha terra natal,sempre encontrei desconfiança e hostilidade.Construam para mim um palácio.É aqui que viverei à partir de agora!"Xapanã instalou-se assim entre os mahis.O país prosperou e enriqueceu,e o grande guerreiro não voltou mais a Empê,no território Tapá,também chamado Nupê.Xapanã é considerado o deus da varíola e das doenças contagiosas.Ele tem,também,o poder de curar.As doenças contagiosas são,na realidade,punições aplicadas àqueles que o ofenderam ou conduziram-se mal.Seu verdadeiro nome,é perigoso demais pronunciar.Por prudência,é preferível chamá-lo Obaluaê,O "Rei Senhor da Terra"ou Omulu,o "Filho do Senhor".Quando Xapanã instalou-se entre os mahis,recebeu,em uma nova terra,o nome de Sapatá.Aí também,era preferível chamá-lo Ainon,o "Senhor da Terra",ou,então, Jeholu,o "Senhor das Pérolas".O fato de ser chamado Jeholu e Ainoncausou mal-entendidos entre Sapatá e os reis do Daomé,pois eles também usavam estes títulos.Enciumados,os Jeholu de Abomey expulsaram,várias vezes,Jeholu Ainon do Daomé e obrigaram-no a voltar,transitoriamente,à terra dos mahis.Jeholu Ainon vingou-se:vários reis daomeanos morreram de varíola!
Atotô!

LENDA DE OXUMARE


Oxumaré
Arrobo Boi!
Oxumaré era, antigamente, um adivinho (babalaô).O adivinho do rei Oni.Sua única ocupação era ir ao palácio real no "dia do segredo";dia que dá início à semana de quatro dias dos iorubas.O rei Oni não era um rei generoso.Ele dava apenas, a cada semana,uma quantia irrisória a Oxumaré que,por esta razão, vivia na miséria com a sua família.O pai de Oxumaré tinha um belo apelido.Chamavam-no "o proprietário do xale de cores brilhantes".Mas, tal como seu filho, ele não tinha poder.As pessoas da cidade não o respeitavam.Oxumaré, magoado com esta triste situação, consultou Ifá."Como tornar-se rico, respeitado,conhecido e admirado por todos?"Ifá o aconselhou a fazer oferendas.Disse-lhe que oferecesseuma faca de bronze, quatro pombos equatro sacos de búzios da costa.No momento que Oxumaré fazia estas oferendas,o rei mandou chamá-lo.Oxumaré respondeu:"Pois não, chegarei tão logo tenha terminado a cerimônia".O rei, irritado pela espera, humilhou Oxumaré,recriminou-o e negligenciou, até,a remessa de seus pagamentos habituais.Entretanto, voltando à sua casa,Oxumaré recebeu um recado:Olokum, a rainha de um país vizinho, desejava consultá-loa respeito de seu filho, que estava doente.Ele não podia manter-se de pé, caía,rolava no chão e queimava-se nas cinzas do fogareiro.Oxumaré dirigiu-se à corte da rainha Olokume consultou Ifá para ela.Todas as doenças da criança foram curadas.Olokum, encantada com este resultado,recompensou Oxumaré.Ela ofereceu-lhe uma roupa azul, feita de um rico tecido.Ela deu-lhe muitas riquezas, servidores e um cavalo,com o qual Oxumaré retornou à sua casa, em grande estilo.Um escravo fazia rodopiar um guarda-sol sobre a sua cabeçae músicos cantavam seus louvores.Oxumaré foi saudar o rei.O rei Oni ficou surpreso e disse-lhe:"Oh! De onde viestes?De onde saíram todas estas riquezas?"Oxumaré respondeu-lhe a rainha Olokum o havia consultado."Ah! Foi então Olokum que fez tudo isto por você!"Estimulado pela rivalidade,o rei Oni ofereceu a Oxumaré uma roupa do mais belo vermelho,acompanhada de muitos outros presentes.Assim, Oxumaré tornou-se rico e respeitado.Entretanto, Oxumaré era amigo de Chuva.Quando Chuva reunia as nuvens,Oxumaré agitava sua faca de bronzee a apontava em direção ao céu,como se riscasse de um lado a outro.O arco-íris aparecia e Chuva fugia.Todos gritavam: "Oxumaré apareceu!"Oxumaré tornou-se muito célebre.Nesta época, Olodumaré o deus supremo,aquele que estende a esteira real em casae caminha na chuva,começou a sofrer da vista e nada mais enxergava.Ele mandou chamar Oxumarée o mal dos seus olhos foram curados.Depois disto, Olodumaré não deixou mais que Oxumaré retornasse à Terra.Desde este dia, é no céu que ele morae só tem permissão de visitar a Terra a cada três anos.É durante estes anos que as pessoas tornam-se ricas e prósperas.

LENDA DE EWA


VConta uma lenda, que Yewá era esposa de Omulu, e era estéril, não podendo conceder um filho ao seu grande amado, sofrendo muito por isso.Numa bela tarde, a dona dos horizontes, estava a deleitar-se nas margens de um rio, juntamente com as suas serviçais que lavavam vários Alás (panos brancos). De repente, surge de dentro da floresta a figura de uma pessoa, que corria muito e muito assustado.- Como ousas interromper o deleite da mulheer de Omulu? Quem é você ? - indagou Yewá, sobre a irreverência do rapaz.- Ewa ! não era minha intenção interromper tão sagrado acto, oh esposa de Omulu ! Porém Ikú (a morte), persegue-me há vários dias e preciso escapar dela, pois tenho ainda um grande destino a seguir. Peço sua ajuda Yewá, peço que me escondas para que Ikú não me pegue ?!- Gostei de você e vou ajudá-lo. Esconda-see sob os Alás que minhas serviçais estão a lavar, e eu despistarei Ikú de seu caminho.E assim foi feito. O jovem rapaz enfiou-se sob os panos brancos, a esconder-se de Ikú.Alguns minutos se passaram, e eis que aparece Ikú. A morte !- Como ousas adentrar nos domínios de minhaa morada? Quem es tu ? - pergunta Ewa com ar de indignada.- Sou Ikú, e entro onde as pessoas menos essperam, entro e carrego comigo, dezenas, centenas e até milhares de pessoas ! Porém hoje estou a procurar um jovem rapaz, que está a escapar-me há dias. Você o viu passar por aqui ? - perguntou Ikú para Yewá.- Eu o vi sim Ikú, ele foi naquela direcçãoo. - Ewa apontava para uma direcção totalmente oposta ao das suas aldeãs, que estavam a esconder o jovem rapaz.Ikú agradeceu e seguiu pelo caminho indicado.Sendo assim, o rapaz pode sair do seu esconderijo e agradeceu a Yewá.- Ewa, agradeço sua ajuda, terei tempo agorra, de prosseguir meu caminho. Sou um grande adivinho, e em sinal de minha gratidão, a partir de hoje presenteio-lhe com o dom da adivinhação.Ewa, agradeceu o presente dado pelo rapaz, que já havia se virado para ir embora, quando retornou e falou a Yewá:- Sim eu sei, você não pode ter filhos, poiis lhe dou isso também. A partir de hoje, poderá ter filhos e alegrar ao seu marido.Então Yewá, agradeceu novamente muito contente e perguntou ao jovem rapaz:- Qual é seu nome ? E o rapaz respondeu:- Meu nome é Ifá !

LENDA DE NANA


VIII Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o òrìsà tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada.Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã.Oxalá criou o homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos òrìsà povoou a Terra. Mas tem um dia que o homem tem que morrer. O seu corpo tem que voltar à terra, voltar à natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo mas quer de volta no final tudo o que é seu.Lenda concedida por: Reginaldo Prandi - Professor de Sociologia da USP

segunda-feira, 23 de junho de 2008

LENDA DE LOGUN


INo início dos tempos, cada orixá dominava um elemento da natureza, não permitindo que nada, nem ninguém, o invadisse. Guardavam sua sabedoria como a um tesouro.É nesse contexto que vivia a mãe das água doces, Oxun, e o grande caçador Odé. Esses dois orixás constantemente discutiam sobre os limites de seus respectivos reinados, que eram muito próximos.Odé ficava extremamente irritado quando o volume das águas aumentavam e transbordavam de seus recipientes naturais, fazendo alagar toda a floresta. Oxun argumentava, junto a ele, que sua água era necessária à irrigação e fertilização da terra, missão que recebera de Olorun. Odé não lhe dava ouvidos, dizendo que sua caça iria desaparecer com a inundação.Olorun resolveu intervir nessa guerra, separando bruscamente esses reinados, para tentar apaziguá-los.A floresta de Odé logo começou a sentir os efeitos da ausência das águas. A vegetação, que era exuberante, começou a secar, pois a terra não era mais fértil. Os animais não conseguiam encontrar comida e faltava água para beber. A mata estava morrendo e as caças tornavam-se cada vez mais raras. Odé não se desesperou, achando que poderia encontrar alimento em outro lugar.Oxun, por sua vez, sentia-se muito só, sem a companhia das plantas e dos animais da floresta, mas também não se abalava, pois ainda podia contar com a companhia de seus filhos peixes para confortá-la.Odé andou pelas matas e florestas da Terra, mas não conseguia encontrar caça em lugar algum. Em todos os lugares encontrava o mesmo cenário desolador. A floresta estava morrendo e ele não podia fazer nada.Desesperado, foi até Olorun pedir ajuda para salvar seu reinado, que estava definhando. O maior sábio de todos explicou-lhe que a falta d’água estava matando a floresta, mas não poderia ajudá-lo, pois o que fez foi necessário para acabar com a guerra. A única salvação era a reconciliação.Odé, então, colocou seu orgulho de lado e foi procurar Oxun, propondo a ela uma trégua. Como era de costume, ela não aceitou a proposta na primeira tentativa. Oxun queria que Odé se desculpasse, reconhecendo suas qualidades. Ele, então, compreendeu que seus reinos não poderiam sobreviver separados, unindo-se novamente, com a benção de Olorun.Dessa união nasceu um novo orixá, um orixá príncipe, Logun-Edé, que iria consolidar esse "casamento", bem como abrandar os ímpetos de seus pais. Logun sempre ficou entre os dois, fixando-se nas margens das águas, onde havia uma vegetação abundante. Sua intervenção era importante para evitar as cheias, bem como a estiagem prolongada. Ele procurava manter o equilíbrio da natureza, agindo sempre da melhor maneira para estabelecer a paz e a fertilidade.

LENDA DE OGUN


IDE COMO OGÚN OFERECEU À SUA ESPOSA OYA SEU AKORO (Ìyá Sandra Medeiros Epega - Texto extraído do site "JORNAL TAMBOR) Ògún, o ferreiro de Ire, gostava de sua liberdade. Morava na forja, na última rua da cidade, com sua esposa Oyá, que o ajudava. Sua casa não tinha porta ou janela e o tecto era formado pelas folhas de mariwo, que impediam a chuva e o excesso de sol de incomodá-lo. Ele via os amigos passarem na rua e os saudava com um aceno. Era considerado homem importante, e fora presenteado pela comunidade com um "akoro", pequena coroa de metal que usava com muito orgulho. Pedira ao seu irmão Ode, o caçador, também chamado Osóòssi, que caçasse para ele um enorme touro selvagem que vivia por perto. Tratou o couro do animal e fez dele um enorme fole. Sua esposa Oyá manejava o fole o dia todo, enquanto ele trabalhava na forja, com o calor em seu rosto. E quem passava naquela rua ouvia a música que saia da forja: "Wuuush", fazia o fole. "Lakaiye, lakaiye", ecoavam a bigorna e o martelo. Havia muito trabalho e Ògún e Oyá não paravam nunca.Uma família resolveu certo dia realizar uma festa para o velho Pai que morrera no ano anterior. Contrataram a Sociedade Egungun da aldeia, cerimónias de propiciação foram feitas pelos Sacerdotes, e o Egungun do velho Pai passeou todo o dia pela cidade, com a família e os amigos atrás, felizes de rever seu Pai de volta ao mercado, tomando sol na praça, andando na estrada, entrando nas casas, brincando e conversando com todos. Bem mais tarde, Egungun passou pela forja, para rever seu amigo ferreiro. E, ao ouvir a música que saia de lá, pôs-se a dançar na rua. Todos ao seu redor riam e gritavam de alegria, Ògún acelerava os movimentos, e o "Lakaiye, lakaiye" saia mais forte. Oyá manejava rapidamente o fole, e ouvia-se "Wuuush, wuuush, wuuush", quase sem parar. O povo aplaudia aquela música e cada vez mais juntava gente ao redor da forja. Ògún estava muito orgulhoso de sua mulher. Ela realmente era muito forte, tinha bom ritmo, sabia como transformar seu fole em um instrumento musical, e com isso encantara e dominara a Egungun, tido como difícil de lidar. A noite caiu e Egungun ainda dançava na rua. Ògún disse a Oyá que largasse o fole e fosse dançar com Egungun. Ele ao mesmo tempo manejaria o fole e bateria o martelo. E por horas e horas, Oyá e Egungun dançaram e alegraram o povo de Ire. Ògún então tirou seu akoro da cabeça e presenteou com ele sua esposa Oyá, dizendo à ela: "Oyá, iyawo mi, akoro mi lonoon."( Oyá, minha esposa, use meu akoro na rua). E a partir de então, Oyá teve o direito de usar um akoro de metal na cabeça, direito este que conserva até hoje, na velha Mãe África e no novo mundo, sendo a única ayaba que pode fazê-lo, uma vez que seu marido Ògún Alakoro ( o dono do akoro), a autorizou a isto.Oyá ficou conhecida então como "aquela que usa akoro na rua", "aquela que faz Egungun dançar com a música da forja", "a Mãe que dança com o filho toda a noite sem se cansar", "a poderosa Mãe que conseguiu cansar Egungun", "mulher de Orixá Ògún que recebeu dele o akoro e com ele divide os poderes sobre a forja", "a que tem akoro e o usa na rua, sem que seu dinheiro tenha sido gasto para isso".AXÉ, AXÉ, AXÉ!

LENDA DE YEMONJA


Iemanjá
Odô Iyá Yemanjá Ataramagbá,ajejê Lodô, ajejê nilê!
Iemanjá era a filha de Olokun, a deuda do mar.Em Ifé, ela tornou-se a esposa de Olofin-Odudua,com o qual teve dez filhos.Estas crianças receberam nomes simbólicos e todos tornaram-se orixás.Um deles foi chamado Oxumaré, o Arco-Íris,"aquele-que-se desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos."De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos.Cansada da sua estadia em Ifé,Iemanjá fugiu na direção do "entardecer-da-terra",como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá.Ao norte de Abeokutá, vivia Okere, rei de Xaki.Iemanjá continuava muito bonita.Okere desejou-a e propôs-lhe casamento.Iemanjá aceitou mas, impondo uma condição, disse-lhe:"Jamais você ridicularizará da imensidão dos meus seios."Okere, gentil e polido, tratava Iemanjá com consideração e respeito.Mas, um dia, ele bebeu vinho de palma em excesso.Voltou para casa bêbado e titubeante.Ele não sabia mais o que fazia.Ele não sabia mais o que dizia.tropeçando em Iemanjá, esta chamou-o de bêbado e imprestável.Okere, vexado, gritou:"Você, com seus seios compridos e balançantes!Você, com seus seios grandes e trêmulos!"Iemanjá, ofendida, fugiu em disparada.Certa vez, antes do seu primeiro casamento,Iemanjá recebera de sua mãe, Olokun,uma garrafa contendo uma poção mágica pois, dissera-lhe esta:"Nunca se sabe o que pode acontecer amanhã.Em caso de necessidade, quebre a garrafa, jogando-a no chão."Em sua fuga, Iemanjá tropeçou e caiu.A garrafa quebrou-se e dela nasceu um rio.As águas tumultuadas deste rio levaram Iemanjá em direção ao oceano,residência de sua mãe Olokun.Okere, contrariado, queria impedir a fuga de sua mulher.Querendo barrar-lhe o caminho, ele transformou-se numa colina,chamada ainda hoje, Okere, e colocou-se no seu caminho.Iemanjá quis passar pela direita, Okere deslocou-se para a direita.Iemanjá quis passar pela esquerda, Okere deslocou-se para a esquerda.Iemanjá, vendo assim bloqueado seu caminho para a casa materna,chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos.Kawo Kabiyesi Sango, Kawo Kabiyesi Obá Kossô!"Saudemos o Rei Xangô, saudemos o Rei de Kossô!"Xangô veio com dignidade e seguro do seu poder.Ele pediu uma oferenda de um carneiro e quatro galos,um prato de "amalá", preparado com farinha de inhame,e um prato de "gbeguiri", feito com feijão e cebola.E declarou que, no dia seguinte, Iemanjá encontraria por onde passar.Nesse dia, Xangô desfez todos os nós que prendiam as amarras sa chuva.Começaram a aparecer nuvens dos lados da manhã e da tarde do dia.Começaram a aparecer nuvens da direita e da esquerda do dia.Quando todas elas estavam reunidas, chegou Xangô com seu raio.Ouviu-se então: Kakará rá rá rá...Ele havia lançado seu raio sobre a colina Okere.Ela abriu-se em duas e, suichchchch...Iemanjá foi-se para o mar de sua mãe Olokun.Aí ficou e recusa-se, desde então, a voltar em terra.Seus filhos chamam-na e saúdam-na:"Odô Iyá, a Mãe do rio, ela não volta mais.Iemanjá, a rainha das águas, que usa roupas cobertas de pérolas."Ela tem filhos no mundo inteiro.Iemanjá está em todo lugar onde o mar vem bater-se com suas ondas espumantes.Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la.Odô Iyá, yemanjá, AtaramagbáAjejê lodô! Ajejê nilê!"Mãe das águas, Iemanjá, que estendeu-se ao longe na amplidão.Paz nas águas! Paz na casa!"